«Karl Grier: The strange story of a man with a sixth sense», de Louis Tracy, é um romance escrito no início do século XX. Segue Karl Grier, um homem vigoroso e de grande coração, dotado de um «sexto sentido» a que ele e o amigo chamam telegnomia — a capacidade de ver e ouvir acontecimentos à distância e de intuir os significados por trás dos sons animais e humanos. Narrada por um confidente próximo num tom ágil e semicientífico, a história mistura aventura, investigação policial e psicologia especulativa. Os primeiros episódios abrangem a Índia, o mar e Oxford, à medida que o dom de Karl o atrai para Maggie Hutchinson, o arménio Constantine e um agente suspeito de Nova Iorque chamado Steindal. A abertura do romance enquadra a faculdade inquietante de Karl e as suas primeiras provas: criança na Índia, ele «sabe» de um assalto planeado a uma plantação de chá e salva os Hutchinson; mais tarde, numa viagem de regresso, localiza um passageiro caído ao mar, Constantine, para o resgate. Um médico compreensivo, Macpherson, medita sobre o poder sensorial anormal de Karl, enquanto a escolaridade na Grã-Bretanha o embota até uma rixa numa menagerie e outros estímulos o reavivarem. Em Oxford, com o amigo americano Frank Hooper a observar, os transes de Karl aguçam-se: entrevê Manhattan Beach e um transatlântico fustigado pela tempestade, o Merlin, que provavelmente transporta Maggie Hutchinson. Ao pôr-se novamente à prova, «viaja» até Nova Iorque, observa Constantine com o agente teatral Steindal, decifra um cabo cifrado destinado a apanhar Maggie com uma oferta de concerto e — quando uma orquestra de restaurante começa a tocar — descobre que consegue ouvir através do oceano tanto quanto ver. A tensão atinge o auge quando a atenção concentrada de Karl parece desencadear o pânico de Constantine perante a visão de um tubarão, eco do seu anterior quase afogamento. O narrador revela então o seu vínculo de longa data com a família de Karl, antecipando o seu papel no relato que se desenrola.