Meus Amigos, os Selvagens”, de Capitão G. B. Cerruti, é um relato etnográfico escrito no início do século XX. O livro documenta as experiências e observações do autor como colonizador na região de Perak, na Península Malaia, e tem como objetivo esclarecer o modo de vida e os costumes do povo indígena Sakai. Com foco nos contrastes culturais, a narrativa oferece uma visão da simplicidade primitiva dos Sakai, bem como da influência corruptora das sociedades civilizadas que os rodeiam. No início da obra, o autor expressa seu desejo de escapar do mundo “civilizado” para viver uma vida mais simples entre os Sakai, que ele considera fascinantes e livres das corrupções da sociedade moderna. Após chegar à Península, Cerruti reflete sobre sua decisão de explorar as selvas interiores, motivado pelo desejo por aventura e pela esperança de encontrar ouro. Ele detalha seus preparativos iniciais, as dificuldades enfrentadas durante a viagem pela selva – incluindo traições por parte de seus escoltas contratados – e seus primeiros encontros com os Sakai. Através dessas experiências iniciais, Cerruti estabelece as bases para uma profunda análise dos contrastes culturais e existenciais entre a vida “civilizada” e a dos povos indígenas, apresentando os Sakai como um símbolo da humanidade pura.