Fetzen: Da crônica aventuresca de um homem desnecessário”, de Alexander Weicker, é um romance escrito no início do século XX. Trata-se de uma crônica satírica e repleta de aforismos sobre a fase de amadurecimento de um jovem, contada sob a forma de um editor que publica o diário deixado para trás por um amigo falecido. O protagonista, Jappes, passa de uma infância rural difícil para a universidade e uma cidade repleta de tentações, onde se cruza com um vizinho mundano e uma garota vulnerável à qual ajuda em uma casa de penhores. O tom do livro combina humor irreverente com uma crítica social incisiva à academia, à moralidade e aos desejos humanos. O início do livro estabelece uma narrativa sarcástica: o narrador recebe o manuscrito caótico do seu amigo falecido (juntamente com um sapo vivo) e decide publicar esse diário universitário. Conhecemos então Jappes – um jovem endurecido pela escola e por uma mãe devota – que entra na universidade, vagueia pelas ruas da cidade e escreve notas de diário inteligentes e autoirônicas. Aluga um quarto precário, frequenta as aulas e, sem dinheiro, penhora um conjunto de xadrez; depois do pagamento, dá o dinheiro para uma garota que estava comprando um buquê de flores para sua mãe. Duas relações importantes surgem no decorrer da história: Reinette, uma vizinha coqueteira que o provoca e discute com ele; e Pepy, a funcionária da casa de penhores que, mais tarde, confessa ser filha ilegítima. As reflexões cínicas de Jappes sobre casamento, pais e “alma” se entrelaçam com essas relações. Os interlúdios satirizam professores arrogantes e o ambiente universitário, enquanto a cidade é retratada como um lugar repleto de estudantes e comportamentos sexuais ousados. O livro termina com Jappes levando Pepy ao teatro onde se apresenta Lohengrin; dividido entre sentimentos verdadeiros e ironia áspera, ele continua provocando-a em um café com suas piadas sobre amor e casamento.