L’art d’aimer: ou conseils à un jeune homme qui se destine à l’amour”, de Mendès, é um guia sobre amor e sedução escrito no final do século XIX. Ele estabelece um conjunto de princípios para o futuro amante, insistindo que ilusão, aparência, beleza e emoções controladas – e não a sinceridade – são os elementos essenciais para uma paixão bem-sucedida. O texto aborda o desejo, os limites do conhecimento sobre a pessoa amada e as exigências estéticas da vida erótica. A abertura deste tratado apresenta o amor como uma vocação exigente e fornece ao jovem aspirante princípios que podem parecer perturbadores. O prefácio define o amante como alguém capaz de se tornar o ideal que toda mulher imagina; o Capítulo I exalta a “mentira divina”, elogiando a artificialidade constante tanto no amante quanto na pessoa amada (ilustrado pelo exemplo da mulher loira cujos cabelos são preservados mesmo após a morte). O Capítulo II defende a autodecepção como meio de transformar realidades sórdidas; o Capítulo III, através de uma parábola sobre um amante cego e um médico famoso, afirma que os sonhos são preferíveis à desilusão. O Capítulo IV exige beleza e condena as uniões desiguais; o Capítulo V desmonta o orgulho masculino relacionado à “conquista”, através da história de Aimée Henriot, cujo destino depende mais do acaso do que dos méritos. O Capítulo VI argumenta que a alegria ou a tristeza interior de uma mulher permanecem desconhecidas e inexpressíveis, mesmo para ela mesma, devido aos limites da linguagem. O Capítulo VII defende a inocência renovada a cada novo abraço, comparando o amor a um processo criativo em que o artista aborda cada obra como se fosse nova; o Capítulo VIII condena os rituais masculinos de iniciação sórdidos e propõe a existência de “iniciadoras” utópicas ou, na falta delas, a misericórdia de mulheres generosas para salvar os jovens da degradação. O Capítulo IX aborda o momento perigoso que segue o primeiro beijo e a necessidade de um comportamento bem planejado para superar essa fase crítica.