«On art and artists» de Max Simon Nordau é uma coletânea de ensaios de crítica de arte escrita no início do século XX. A obra sustenta que a arte tem uma missão social essencial, rejeita a «arte pela arte» e argumenta que as sociedades modernas e democráticas precisam de uma arte que dignifique o trabalho e expanda a vida interior atrofiada pela especialização. Combina teoria com estudos de caso incisivos — dos pintores franceses medievais aos escultores e realistas modernos — para mostrar como a arte serviu a religião, o poder e, cada vez mais, o público, ao mesmo tempo que critica movimentos da moda que tomam a novidade por substância. A abertura desta obra apresenta um argumento psicológico e histórico contra o estetismo puro: a arte primitiva (dos desenhos rupestres aos esboços infantis) pode nascer de um impulso privado, mas, à medida que a civilização se desenvolve, os artistas dirigem-se a públicos, mecenas e necessidades sociais. O autor examina como a arte antiga, medieval e renascentista serviu deuses, soberanos e instituições; como a crítica moderna e as exposições públicas transferiram a autoridade para os críticos e a multidão; e por que, numa era industrial de especialização extrema, a arte deveria restaurar a plenitude e o respeito de si — sobretudo ao enobrecer o trabalho em vez de chafurdar num realismo sombrio. Propõe uma «arte socialista» que desperta piedade pelos deserdados e reverência pelo labor honesto, exemplificada em leituras vivas dos mineiros, ferreiros e ceifeiros de Constantin Meunier (embora assinale alguns deslizes), e liga isto à gravidade moral de Millet. Um ensaio seguinte disseca o estilo como a tensão entre construção (utilidade) e decoração (luxo), elogiando o ornamento orgânico, rico de sentido, e criticando a imitação irrefletida e a moda «secessionista» derivativa. A abertura revisita então os mestres franceses medievais, contestando o mito de que a arte francesa se limitou a copiar modelos flamengos ou italianos, destacando o naturalismo na pintura derivada de manuscritos, a grandeza de Fouquet e do Mestre de Moulins, e o realismo subtil, proto-revolucionário, latente nas cenas sagradas, antes de passar a um panorama secular que começa a reavaliar os pintores setecentistas à luz da política do gosto.