Eu, Marte”, de Ray Bradbury, é um conto de ficção científica escrito em meados do século XX. A história centra-se na solidão e no tormento psicológico autoinfligido quando um colonista perdido em Marte enfrenta sua própria voz preservada em máquinas. Emil Barton, deixado sozinho no planeta após uma guerra atômica, lembra-se dos colonizadores da Terra e sobrevive conectando o planeta a telefones e gravações de si mesmo quando mais jovem, para simular a companhia humana. Decadas depois, já idoso e frágil, essas gravações começam a atormentá-lo, lembrando-o da juventude e da esperança, enquanto expõem seu desespero atual. Ele tentou uma vez “animar” cidades vazias com sons, aromas e até robôs — mas acabou destruindo esses robôs quando a ilusão se tornou insuportável. Atraído por um telefonema falso de um “capitão de foguetes”, ele viaja por todo o planeta na esperança de ser resgatado, mas encontra apenas estradas vazias e mais máquinas. Em um último ato de raiva, ele quebra todos os telefones até que seu coração pare de funcionar. As últimas vozes que restam são as de dois Emil Bartons mais jovens, conectados mecanicamente, conversando e rindo alegremente, sem saber da morte do homem real.
Também publicado com o título: Chamada noturna, atenda.